Porque dizer "não" às vezes também é uma forma de amar


Dia desses, vi uma mãe fazendo textão no Instagram pra dizer que o filho de 4 anos não queria mais fazer natação e que ela "não iria obrigá-lo porque deve-se respeitar a criança".


Eu amo estar na água, mas não sei nadar. Minha mãe me perguntou aos 5 anos de idade se eu queria fazer aulas e eu, lá sei por quê, disse que não. Fim.


Eu toco piano de ouvido, mas também não entrei na aula, apesar de várias pessoas dizerem que eu deveria, porque (dessa eu me lembro bem) eu tinha 10 anos e, na época, pra você se formar no conservatório eram 8 anos de aulas, e eu achei um absurdo "perder esse tempo". Também falei não. Fim.


Estou culpando minha mãe? CLARO QUE NÃO. Ela fez a mesma coisa que essa mãe, quis respeitar a minha decisão, não quis me "obrigar" a nada. Acontece que crianças não conseguem mensurar o que é bom ou não pra elas nesse sentido.


Elas não entendem o que comer nuggets e batata frita significa a longo prazo.

Elas não entendem o que pode acontecer se elas não souberem nadar.

Elas não conhecem ainda os benefícios de se aprender um instrumento, um novo esporte ou uma nova língua pra vida delas.


Porque criança não subentende nada e, portanto, criança precisa de direção.

Aula de natação, pra mim, é obrigação sim, querendo ou não, porque se trata de segurança (a propósito, acho que toda escola deveria oferecer aula de natação como parte do currículo). Você deixa seu filho sem comer, sem tomar banho, sem vestir roupa, sem ir pra escola, ou seja lá o que é importante pra ele porque não quer deixar de "respeita-lo"? Pois bem, o caso é exatamente o mesmo.


Pode ser que não role natação numa semana, pode ser que ele precise da sua ajuda por um tempo maior do que o esperado, mas o que interfere na saúde ou segurança da criança, é importante que aconteça independente de sua vontade


A criança, de repente, não quer fazer mais balé, futebol, circo, capoeira, culinária ou seja lá o que, OK, mas primeiro investigue o porquê. Aconteceu alguma coisa? A criança se desentendeu com alguém? Teve a atenção chamada e agora está com raiva ou vergonha? Se for o caso, mude de local, mas só aceite tirá-la das aulas após esgotar as possibilidades de argumentação. E, se for o caso, faça uma troca: se não quer mais futebol, tudo bem, mas então tem que achar outro esporte. Criança precisa se movimentar.


Direcionar a criança pra algo que você sabe que é importante, saudável, que vai garantir sua segurança ou lhe proporcionar oportunidades no futuro não é desrespeito, porque dizer NÃO às vezes também é uma forma de amar. Bons estudos @educarepreciso

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